Cara [nome suprimido],
Rosa Henriques
A principal vantagem do acordo foi ter acabado com os titulares.
Os professores mais novos não compreendem isso, porque não sentiram as tamanhas injustiças que decorreram dessa divisão arbitrária.
E quem não sentiu, quem não “vivenciou” não chegou a compreender todos os meandros da “teia titular”, que, a continuar, instauraria na escola danos irreparáveis, pelo mando desmesurado, por parte de muitos, mas muitos mesmo, que começaram logo a exercer mais do que a autoridade que lhes era devida.
Difícil de compreender? Pois, compreendo.
Curiosamente, cá para os meus lados, andamos mais sorridentes e mais conversadores uns com os outros.
Portanto, acho o artigo do Santana Castilho um exercício de escrita, um tanto ou quanto pessimista, não correspondendo à verdade, no que diz respeito à “revolta nas escolas” que uma semana sabática mostraria.
O meu micro-cosmos está tranquilo.
Andamos todos preocupados com o curto e médio prazo. Já pensaram sobre a nossa reforma? Quando chegarmos lá, com que dinheiro ficámos? Ficaremos com algum? Ou trabalharemos até aos 65 (se não forem mais) e depois vamos com uma miséria para casa?
Eu vejo colegas do 10 (340) escalão a fazerem contas, não para chegarem ao topo, mas para irem para casa antes de 2014.
Portanto, estão mais preocupados com a reforma do que propriamente em chegar ao topo (370).
Um professor que esteja agora no 340 dificilmente chegará ao topo, porque terá de ter pelo menos uma avaliação com MB ou Exc.
Ora, um professor em fim de carreira já não está para pedir aulas assistidas e sujeitar-se a uma quantidade de formalidades que, para ele, já não fazem sentido.
O outro dia falava com uma colega do 340 que dizia: vou cá pedir aulas assistidas? Não me vou chatear com isso! Pois, ainda aparecerá alguma a criticar, porque, por exemplo, não uso suficientemente os meios informáticos disponíveis.
Portanto, o que vejo no meu mini-universo, cá para os meus lados, é que os 340 estão mais virados para as questões relacionadas com as REFORMAS.
O problema não foi o título em si, mas aquilo que ele passou a representar e a interiorização/abuso do poder por parte de alguns/muitos. E ainda a procissão estava no adro… As coisas complicar-se-iam, muito, mas muito mais.
Um título adquirido em condições arbitrárias, por um concurso que instaurou grandes desigualdades e com repercussões na carreira, no processo avaliativo, bastando apenas referir a “desautoridade” dos avaliadores, escolhidos por consequência de um concurso com regras absolutamente arbitrárias.
Bem…quem sentiu na pele, sabe muito bem do que falo. Pois os que não sentiram isso, sentiram outro tipo de injustiças decorrentes do EC. Cada qual teve/tem os seus motivos.
Os slogans que vi mais nas manifestações, cordões, etc. foram: não à divisão da carreira, não àquela avaliação. Ou terei visto mal? Eu também lá estive, em quase todas, até ao fim. Esperei por colegas que nunca apareceram à boca do Metro, vi e ouvi coisas, que me deixaram perplexa, que me desapontaram, por que não esperava, por parte de certas colegas, e conclui que, infelizmente, gente a lutar por uma causa comum era mentira. CADA UM LUTOU MAIS OU MENOS PELA PARTE QUE LHE COUBE. Cada um olhou para o seu umbigo.
Portanto, as manifestações tiveram um não-sei-quê de mega-concentrações de umbigos (parcelares).