Atalaia, Alenquer.
Outono de 2009.
"Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar
e seu direito de pensar.
É da empresa privada o seu passo em frente,
seu pão e seu salário. E agora não contente querem
privatizar o conhecimento, a sabedoria,
o pensamento, que só à humanidade pertence.
...
Vemos as relações de uma sociedade antiga, com as suas regras e convenções, com os tiques e limitações que conhecemos também através de outros autores. Mas também aqui estão as particularidades de uma sociedade de ilha, forçosamente limitada, pequena e onde tudo é exagerado e parece, às vezes, desajustado.
É magistral a fotografia que Nemésio nos transmite relações entre as famílias mais ou menos ricas, com as suas rivalidades, cumplicidades ou quezílias, dos esquemas de salvar uma família da bancarrota, casando sobrinha com tio ou com um filho de Barão, da rede de influências que se fecha para prejudicar uma família que em tempos tentou desgraçar outra. O modo como os baleeiros são retratados, gente simples e boa, que tinha na baleia o seu sustento e o seu tormento, é apaixonante.
...